segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Resenha: A garota dos pés de vidro


 


Livro: A garota dos pés de vidro
Autor: Ali Shaw
Editora: Leya
Resumo: Cenários cinematográficos, paisagens paradisíacas, pântanos congelados com animais transformados em vidro, florestas brancas, penhascos monocromáticos, um oceano de baleias, lendas e águas-vivas. Este é o universo fantástico de Ali Shaw, autor britânico que renova as fábulas e cria uma inusitada história de amor. Midas é um tímido fotógrafo ilhéu.


Contém spoilers!


Resenha: Bom, ao comprar esse livro em questão li apenas o primeiro capitulo, e admito, pensei que seria uma história de mistério e magia. Porém, ao concluir a leitura, fiquei completamente sem folego, tanto, que já fazem semanas que li, e só agora consegui absorver a história por completo.
Há sim mistério e magia na história, porém, antes do fim, todos os nós são dados, todos os mistérios, revelados, bom... nem todos. Os protagonistas são Midas Crook, um homem que ama fotografia de uma forma muito peculiar e Ida, uma mulher que esta virando vidro. No primeiro capitulo temos a visão de Midas, e o primeiro encontro do casal. No decorrer do livro cada capitulo se passa na visão de um personagem, não necessariamente dos protagonistas. Não há também ordem cronológica, em um capitulo você pode estar lendo o que estaria acontecendo agora, e no próximo, terá uma visão do passado ou de um personagem que já faleceu.
Em St Haudas existe uma criatura capaz de transformar tudo que olha em branco puro, no caso, vidro. Durante todo o livro vemos Ida desesperada por um cura para sua situação, e ela conta com a ajuda de Midas para resolver seu problema. De inicio, ela quer achar Henry Fuwa, pois, em uma visita anterior a ilha, ele parecia o único a conhecer algo sobre seu atual estado. A dificuldade de encontra-lo é que Henry é um esquisitão, viva no meio do pântano, e ninguém sabe como acha-lo. No decorrer da história descobrimos que Henry mora no meio do nada para proteger seu gado de asas, insetos pequeninos com a forma de bois e vacas, os quais ele cuida com muito carinho para que não sejam extintos. Há tantos mistérios para resolver, mas no fundo, tudo o que desejamos é uma cura para Ida. Quando encontram com Henry, descobrem que ele também não sabe de nenhuma cura, ela só sabe que isso existe, pois já encontrou corpos de vidro no pântano.
Assim que vão embora, descobrimos que o pai de Midas se matou pois estava também virando vidro, diferente de Ida, a transformação dele começou em seu coração, o que afetou toda sua vida. Nesse ponto notamos que cada pessoa tem a transformação inciada em um ponto diferente. Porém, o próprio Midas não fica sabendo dessa parte.
Muitas coisas acontecem, e Mida se ve apaixonado por Ida, porém não sabe como agir, e por outro lado, Ida só quer que ele faça algo, quer se sentir amada, mesmo sabendo que não há chances de voltar ao normal. Algumas tentativas de cura são frustadas, deixando Ida apenas mais doente.
Quase no final do livro, o vidro já esta alcançando sua barriga, e ela teme não ter muito mais do que dias de vida. Nesse momento, Mida toma coragem e assume seus sentimentos por ela, e ambos resolvem passar o resto do pouco tempo que ela possui juntos. No fim, eles vão dar um passeio de barco, apenas os dois, e Midas aceita, mesmo a água sendo um de seus maiores medos, ele realiza esse pedido dela. quando estão na água, bem longe da praia, Midas nota que Ida esta se transformando mais rápido. Eles se beijam, e ela segura seus braços, em um instante, ela virou vidro, uma casca de vidro, sem ninguém dentro. Nessa hora as coisas acontecem muito rápido, porém a estatua de vidro afunda no mar, e Midas é resgatado por seu amigo, que foi de barco atras dele, assim que soube o que realmente estava acontecendo.
A história é simplesmente de tirar o folego, começa com um mistério, e termina de uma forma que eu nunca imaginei, achei que ele iria achar uma cura, que ela ficaria bem, mas não, a história é "real" demais para isso. Eu acredito que as pessoas que veem a criatura que as transforma em vidro começam sua a mudar pelo parte do corpo que lhes e mais querida. No caso de Ida, eram seus pés, que a levaram a tantos lugares no mundo, já o pai de Midas, era seu coração, ele era um homem que estudava livros, palavras, poemas, e tudo isso necessita de emoções, de coração, para que a pessoa compreenda o que está lendo. Durante toda a história, vemos Midas superando sua vida, sua infancia triste, o suicidio do pai, a falta da mãe, os namoros que deram errado. Resumindo, aos poucos, ele foi aprendendo a superar isso, a viver de forma mais ampla, deixando os medos de lado ou encarando-os de frente.
Midas é a personificação de tudo aquilo que somos ou já fomos, e no fim do livro, daquilo que queremos ser, uma pessoa que vive, que sente, que faz, e não alguém que teme, foge, ou se esconde. Alguém que encara a vida de frente.

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